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15 de setembro de 2013

O debate em que Zerinho tornou-se o melhor pra Cajazeiras


O ano era 1992. O empresário José Nello Zerinho Rodrigues, então vice-prefeito de Cajazeiras, disputava a eleição para prefeito contra o médico Epitácio Leite Rolim, que tentava voltar à Prefeitura. Zerinho contava com o apoio do velho MDB e do prefeito Antonio Vituriano de Abreu, que gozava de boa aceitação popular junto à classe média. Epitácio trabalhava montado no seu diploma de médico e tinha o apoio maciço das camadas mais populares.

Parada dura. Duríssima! Epitácio tinha a simpatia de boa parte da imprensa local. Naqueles tempos de legislações outras, com as bênçãos de Gutemberg Cardoso e Carlos Roberto Pereira, um slogan imbatível foi cunhado para a sua campanha: "O homem é bom, o homem é espetacular", pinçado de uma música do grande Luiz Gonzaga. Caiu na boca do povo: em qualquer esquina tinha gente repetindo o slogan e a campanha de Epitácio era um verdadeiro céu de brigadeiro.

Mas tem sempre o imponderável nas campanhas políticas. Foi marcado um debate a ser retransmitido pela Difusora Rádio Cajazeiras. Temor de ambos os lados. Nem Epitácio e nem Zerinho eram lá grandes oradores. Ainda mais no calor de uma campanha acirrada. Zerinho preparou-se com afinco e sob os cuidados dos irmãos Josival e Adjamilton Pereira e também de Fernando Caldeira, dentre outros.

Chegou o dia. Uma multidão aglomerou-se nas Oiticicas, em frente à Câmara de Vereadores, local do debate. A retaguarda da propaganda de Zerinho, confiante na sua exaustiva preparação para o embate, estava confinada preparando uma estratégia para sair às ruas após o debate entoando o slogan "Zerinho é o melhor". Oras, se Epitácio era bom, Zerinho era o melhor. E o melhor para Cajazeiras seria Zerinho. Mais simples e direto impossível!

Conforme o previsto, o debate foi acalorado. Zerinho saiu-se um pouco melhor que Epitácio. A multidão que tomava conta das ruas saiu empunhando a bandeira do melhor e a campanha tomou outro rumo, já que outras estratégias também foram colocadas em prática. Ao fim, Zerinho sagrou-se prefeito de Cajazeiras com uma maioria de apenas 114 votos. Eu vi. Eu estava lá.


12 de setembro de 2013

Epitácio: a história reconhece

 

Em 2002, o médico Epitácio Leite Rolim, ex-prefeito de Cajazeiras, lançou-se deputado estadual pelo Partido da Frente Liberal (PFL). Com o slogan "A história reconhece", Epitácio balançou os corações e mentes de apenas 11.885 eleitores, amargando uma suplência na Casa de Epitácio Pessoa.


17 de fevereiro de 2013

Harmonia dos velhos e antigos carnavais de Pombal


CLEMILDO BRUNET

Carnaval - maior festa do mundo, ninguém sabe ao certo quando começou. Historiadores e pesquisadores afirmam que não tem como provar quando nasceu o carnaval. Existe apenas uma estimativa que seu ponto inicial tenha sido durante o reinado de pisistrato na Grécia entre 605 a 527 A.C.. Várias histórias são contadas de povos diferentes, o que dificulta a descoberta de uma data exata.

O carnaval é marcado em nosso calendário pela Igreja Católica que se baseia na data da páscoa. No início não houve aceitação do carnaval pelo cristianismo que constatou uma festa com características libertinas e pecaminosas.

Desde 590 D.C. a Igreja adotou oficialmente esta festa, passando desde então, a programar seu calendário. Aqui no Brasil, o Carnaval é uma festa de âmbito nacional adquirindo formas próprias e distintas em cada região. Os navegadores portugueses davam início aos festejos carnavalescos com o entrudo.

O festim originário da Índia consistia em uma “guerra” de excrementos, talcos e ovos jogados do alto das casas ou nas praças. Outra brincadeira: Os farristas agarravam um desafortunado qualquer, tiravam-lhe a roupa, davam um banho frio e o devolviam à rua. Assim eram os festejos na Bahia e no Rio de Janeiro, em fevereiro do século XIX. (Caderno dois/ Correio da Paraíba (21-02-2004).

Pombal - carnaval que o tempo levou...
Pombal sesquicentenário, cidade de velhos costumes e tradições históricas já foi ponto referencial no passado de melhor carnaval do sertão. Na nossa cidade os blocos que mais se destacaram na década de 70 do século XX foram: O Formigão, Bloco do Sujo, Fuleragem, Caga- Fogo, Brasinha, Descarados, Antártica e o Fôiará, que só saia as terças feiras à tardinha.

O Fôiará foi um bloco idealizado por Marcos Antonio Junqueira, técnico de rádio, mais conhecido por “Mastõe”. Era formado por pessoas pobres, não podiam pagar uma fantasia e por isso se vestiam de folhas de mato para desfilar ao redor das Praças Getúlio Vargas e Centenária. A noite não participava dos bailes noturnos, no entanto, na sua exibição trazia alegria para o centro da cidade. É o único bloco que ainda hoje, entre um carnaval e outro faz o seu percurso na festa de momo em Pombal.

Há muito tempo o Carnaval perdeu sua identidade. O Frevo do Recife e as marchinhas do Rio de Janeiro, pouco a pouco foram perdendo lugar para o axé-music da Bahia e outros gêneros e ritmos inventados por lá. O carnaval fora de época, começando essa prática pela Bahia com a Micareta, chegando à Paraíba em Campina Grande com a Micarande e em Pombal inicialmente como Micabal, depois passando a ser chamado de Pombal Fest; tendo apresentação dos blocos dentro do cordão de isolamento, puxados ao som do trio elétrico, onde só participa o folião que estiver fantasiado com as cores que identifique a logomarca do seu grupo. Tudo isso e mais o fator econômico de nossa gente, arrefeceu em muito o interesse pelo carnaval conservador de outras épocas.

Outra curiosidade que nos chama atenção em referência aos carnavais antigos dos anos 60 e 70 são as nossas gravadoras. Naquele tempo, três meses antes do carnaval, as gravadoras reuniam todo seu elenco e encomendavam aos cantores, músicos e compositores a prepararem o repertório musical para a Festa de momo. Davam ampla divulgação dessas músicas pelo rádio e o folião fazia coro com a orquestra que animava o baile de carnaval.

Eu costumo chamar o carnaval antigo de Pombal. O carnaval das famílias. Cada grupo de pessoas formava seu bloco e produzia suas fantasias. Época dos confetes e serpentinas, do lança-perfume spray, embora proibido, havia sempre um ou mais foliões, que discretamente faziam uso, espargia o líquido no lenço e levava ao nariz para o porre, passando depois de mãos em mãos para repetirem o gesto.

Alegria começava logo cedo no domingo pela manhã com o entrudo, o molha, molha, dando banho nas pessoas, não havia nem um contratempo, pois só eram molhados aqueles que se encontravam brincando.

Cansei de presenciar nos bailes noturnos que eram realizados no Pombal Ideal Clube (baile dos ricos) a época, e na Sede Operária (baile dos pobres), as diferenças partidárias desaparecerem, reunindo as maiores lideranças políticas antagônicas do Município, abraçados e pulando no meio do salão.

Quão maravilhosas eram as tardes de carnaval em Pombal com a realização do corso, o Serviço de Alto Falantes “Lord Amplificador” reproduzindo as músicas carnavalescas da época e os veículos automotores, preferencialmente Jipe sem capota, tendo sua lotação completa de foliões fantasiados de colombinas, pierrôs e palhaços.

Famílias tradicionais de nossa cidade davam esse colorido especial ao carnaval de rua, percorrendo as principais avenidas e vias de acessos a Praça Getúlio Vargas, Praça Centenária e a Rua Cel. José Fernandes (rua do rio).

A Festa de momo em Pombal era feita de forma voluntária, segundo depoimentos que pude colher em enquete junto a foliões que se sentiram a vontade para contar essa história.

Bloco dos Sujos
Manoel Bandeira (saudosa memória) funcionário público federal aposentado, fundador e comandante do bloco do sujo, me disse que: Os foliões agregados ao seu grupo faziam de forma voluntária. Sua exibição era somente durante os festejos de rua e quando convidado adentravam as residências dos amigos para os comes e bebes.

Havia uma Kombi abastecida de bebida e comida, que os conduzia a vários locais da cidade e na hora da distribuição desses gêneros, todos de maneira harmoniosa obedeciam à fila.

Bloco Formigão
José Severo de Sousa (Zuca), empresário no ramo de funerária e guarda do fisco estadual aposentado. Ele fazia parte do bloco “O Formigão”, pertencente à família Formiga, que tinha como chefe do clã seu Chiquinho Formiga. Seu Zuca me disse que mesmo não sendo da família, mas, apenas amigo, foi convidado para o bloco.

Pude ver em seu rosto alegria de falar da união existente entre os membros dessa agremiação carnavalesca formada por vinte casais. Este bloco marcava presença nos bailes e matinês do Pombal Ideal Clube. A cada exibição do “Formigão” uma fantasia diferente, disse ele, que até hoje guarda ainda algumas dessas fantasias, doces lembranças de carnavais passados em sua vida.

Bloco Brasinha
O Bloco Brasinha tendo como símbolo a figura de um diabinho, foi organizado por jovens da sociedade pombalense. Segundo um de seus organizadores, Joaquim Adonias Dantas Neto (Saburá), desde a sua fundação e durante quatro anos, esse bloco era composto apenas por elementos do sexo masculino. A sede para as reuniões e preparativos de saída do bloco ficava na antiga casa grande na rua nova, onde funcionou o Diretório Municipal do PMDB, atualmente é o edifício do Banco do Brasil de nossa cidade. Para o ingresso do folião a esse grupo havia o que eles chamavam de batismo, que constava de arrubacão regado a cachaça as margens do rio Piancó na sexta feira que precedia o carnaval.

No sábado em arrastão o Brasinha, saia pelo comercio local pedindo bebida e outros apetrechos para brincar o carnaval. Durante os dias da festa de momo, esse bloco percorria as Palhoças Panatí, hoje no local, está o Hotel Rio Verde e a de Joaquim Sales a beira do rio a cinco quilômetros da cidade.

A noite participava dos bailes no Pombal Ideal Club e de madrugada renovava sua energia tomando caldo de mocotó na residência de Eufrásio dos Santos, indo depois para o banho matinal na casa de seu Lelé, pai do escritor Verneck Abrantes. Chegou a ser um dos maiores blocos carnavalescos da cidade, tendo alcançado o maior número de participantes, (60) sessenta casais.

Bloco Caga-Fogo
Outro depoimento é do folião de velhos carnavais de Pombal, cidadão José Arruda dos Santos, funcionário publico federal aposentado. Ele fez parte do bloco Caga-fogo – apelido dado aos jogadores de dominó composto por doze amigos que gostavam desse hobby. Na sua avaliação os carnavais daquela época eram tranquilos ao compasso das marchinhas, frevos e samba muito diferente do que acontece hoje.

José Arruda exaltou ainda a forma harmoniosa como os blocos se postavam em suas apresentações nos bailes do Pombal Ideal Clube. Entre os componentes do seu bloco estavam: Dr. Saraiva, (saudosa memória), Dr. Carrinho, Mauricinho, Zequinha Arruda, Dr. Nicácio Coutinho e Fiel, (os dois últimos já falecidos).

Assim era o Carnaval ou velhos e antigos carnavais da terra de Maringá, reminiscências de um passado harmonioso que fica para registro da história.

16 de fevereiro de 2013

Arquidiocese da Paraíba realiza exposição sobre os 100 anos da Diocese de Cajazeiras


A Arquidiocese da Paraíba promove a desde o dia 6 de fevereiro, no Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa, uma exposição sobre os 100 anos da Diocese de Cajazeiras. Na mostra, os visitantes vão poder conferir documentos, fotos, textos e peças sacras que fazem parte da história da Diocese. Também vão ser expostas telas que mostram uma releitura das Igrejas da cidade. Elas foram pintadas por membros da Associação dos Artistas Plásticos da Paraíba (Associart/PB).

A Diocese de Cajazeiras foi criada em 1914, quando a então Diocese da Paraíba foi elevada à Arquidiocese. O pedido foi feito por Dom Adauto, que via dificuldade em cobrir todo o Estado apenas com uma diocese. A ideia inicial era que ela ficasse em Pombal, mas a cidade não tinha estrutura para recebê-la. Cajazeiras, então, acolheu a nova diocese.

Segundo o curador da exposição, José Augusto de Moraes, a mostra é uma homenagem da Arquidiocese da Paraíba à Diocese de Cajazeiras. “Ela foi a segunda diocese da Paraíba e marcou a história da cidade com o incentivo a educação de qualidade no sertão do Estado”, explica. Para ele, a mostra é uma oportunidade para que as pessoas conheçam não só a história da Diocese, mas da presença da Igreja Católica no Estado. “Os visitantes vão fazer uma viagem no tempo, mergulhando na história da cidade e da Diocese de Cajazeiras”, completa.

A exposição dos 100 anos pode ser visitada todos os dias da semana, nos seguintes horários: de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 17h, e nos sábados e domingos, de 9h às 14h. A entrada custa R$ 4,00 a inteira e R$ 2,00 para estudantes e idosos. A data para o encerramento da exposição ainda não foi definida.


 

20 de janeiro de 2013

Dr. Atêncio: homenagem aos 100 anos de seu nascimento


CLEMILDO BRUNET

Culto, simples, discreto, tímido e prudente – Doutor Atêncio Bezerra Wanderley em sua trajetória de vida foi um fiel seguidor desses princípios que nortearam sua existência aqui neste mundo. Este mês marcam 21 anos e cinco meses de seu falecimento ocorrido em 14 de agosto de 1992, em São Paulo, no Hospital da Beneficência Portuguesa, tendo sido sepultado em Pombal em 16 de agosto 1992. Nasceu a 10 de janeiro de 1913 no sítio Arruda - município de Pombal, filho do Cel. Josué Bezerra de Sousa e de dona Esmerina Bezerra Wanderley.

Dr. Atencio antes de frequentar escola recebeu ensinamentos de seu pai que tinha apenas o primário incompleto. O interesse pela leitura impulsionou-o para que começasse a estudar sozinho, debruçando-se nos livros de Aritmética, Álgebra, Geometria, História do Brasil, Geografia, Ciências Naturais, Gramático e francês, a língua estrangeira mais estudada na época. Também aprendeu a ler e falar com fluência o Latim.

Em determinado tempo seguiu para Campina Grande e no Instituto onde hoje é o Colégio Alfredo Dantas, saiu com o Curso Comercial incompleto. Em 1935 foi para Recife e no Colégio Salesiano concluiu o Curso Ginasial tendo depois ido para o Ginásio Pernambucano fazendo ali o Curso Secundário, hoje segundo grau.

Dr. Atêncio formou-se como médico pela Faculdade de Medicina do Recife atualmente pertence à Universidade Federal de Pernambuco. Ao concluir o Curso médico em 15 de dezembro de 1945, destacou-se como um dos melhores alunos de sua turma. De volta a Pombal em 1946 começou a clinicar montando seu próprio consultório onde atendia seus pacientes e quando necessário fazia atendimento médico a domicílio nos sítios da redondeza indo a cavalo, meio de transporte utilizado na época.

Dr. Atencio era casado com D. Cacilda Medeiros Wanderley havendo contraído núpcias em 29 de novembro de 1947, dessa união conjugal nasceram os filhos Marcus Vinicius, Berta Letícia, Alba Rejane e Ana Valéria.

Na ânsia de cumprir o juramento do médico, pai da medicina e filósofo grego Hipócrates, Dr Atêncio Bezerra Wanderley, prestou relevantes serviços a Unidade Sanitária Estadual, a antiga Cooperativa do DNER, Posto Médico de Puericultura LBA, Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro de Pombal. Neste último trabalhou muitos anos graciosamente devido à natureza filantrópica exercida pela Instituição.

O Hospital Sinhá Carneiro teve a instalação de um Laboratório de Análises Clínicas e um serviço de Eletrocardiografia, graças à iniciativa do Dr. Atêncio. Trabalhou ainda no Serviço de Assistência Médica da Previdência Social em Sousa – PB e no Hospital Alcides Carneiro em Campina Grande PB.

O Dr. Atêncio Como político foi consagrado com três vitórias eleitorais, uma de Prefeito Municipal (1969 a 1972) e duas de Deputado Estadual (1979 a 1983 e 1983 a 1987), chegando a ser Vice-Presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, mantendo sempre um desempenho seguro e equilibrado.

Assumiu a Prefeitura Municipal de Pombal, a 31 de janeiro de 1969, em plena vigência do Ato Institucional N° 5, que levou o pânico a todos quantos exerciam mandatos eletivos. Contudo, sua integridade moral lhe dava respaldo para administrar sem medo, ao ponto de figurar na galeria dos melhores administradores da nossa cidade.

Lord Amplificador
Tomo a liberdade de contar um fato que se deu comigo e os companheiros do Lord Amplificador, na época em que o Dr. Atencio era Prefeito de Pombal, e que até hoje guardo essa gratidão a ele, ao qual tive o privilégio de privar de sua amizade, e ao Dr. Francisco Nelson da Nóbrega Promotor público aposentado, por ambos terem dado solução ao problema que estávamos enfrentando.

Foi num tempo em que a cidade de Pombal havia se acostumada ao silêncio das antigas difusoras e quando surgiu o Lord fomos vítimas da incompreensão de alguns que incomodados com o som direcional da comunicação, solicitaram da empresa fornecedora de energia Elétrica (Saelpa), a retirada das cornetas dos postes da cidade. A pressão foi tão grande que a Saelpa nos encaminhou um ofício, determinando que retirássemos nossos projetores de áudio.

Eu e os meus companheiros ficamos desolados, a cidade indiferente ao que se passava e as cornetas emborcadas dentro do Studio. Todos os dias questionávamos como encontrar uma solução para o problema. De repente, vem a minha procura o Dr. Francisco Nelson da Nóbrega (saudosa memória) Promotor de Justiça aposentado e Presidente do Rotary Clube de Pombal, solicitando a divulgação de uma nota daquele clube de serviço. Então, lhe dei ciência do que estava acontecendo.

Pombal tem muito a agradecer ao Dr. Francisco Nelson da Nóbrega, pois, diga-se de passagem, foi um lutador pelo desenvolvimento de nossa terra. Pois bem: Pegando-me pelo braço, Dr. Nelson levou-me a Prefeitura, para solicitar do Prefeito de então, Dr. Atencio Bezerra Wanderley, a imediata instalação das cornetas de som nos prédios públicos pertencentes ao município. Dessa forma, por determinação do executivo municipal, o Lord Amplificador voltou a funcionar normalmente.

Por sinal, como único meio de comunicação de massa em Pombal, o Lord Amplificador, foi o primeiro veículo de informação e formação pública a realizar transmissões externas de eventos de nossa cidade. A Prefeitura Municipal de Pombal nas gestões de Atencio Bezerra Wanderley, Hildo de Assis Arnaud e Paulo Pereira Vieira, contratava nossos serviços para coberturas nos acontecimentos que se sucediam na edilidade municipal.

Em sua gestão administrativa Dr. Atencio - Criou os símbolos do Município, a Bandeira, com a colaboração do Instituto de Heráldica da Paraíba; Organizou a contabilidade pública e pôs em dia as prestações de conta do Poder Municipal; celebrou convênios com o Mobral para o ensino de adultos; contratou médicos e dentistas para atendimen­tos nos postos distritais; recuperou todas as escolas da zona rural; recuperou o Posto Médico desta cidade.

Suas colaborações, em diferentes áreas, como Saúde, Educação, Vida Pública, bem atestam o seu valor. Lutou na defesa dos interesses do povo e das Instituições, buscando sempre o bem social.

Foi Diretor Social do Pombal Ideal Clube; Fundador do Rotary Club de Pombal, e vale ressaltar que era o único sócio fundador que ainda permanecia na ativa, com admirável assiduidade às suas reuniões; Tendo sido também Conselheiro da Fundação Laureano de João Pessoa - PB.

Foram muitas as homenagens por parte de pombalenses na rede social “Facebook” esta semana ao Dr. Atencio Bezerra Wanderley, como também dos escritores e pesquisadores da nossa história, Verneck Abrantes e Jerdivan Nóbrega de Araújo.

No último sábado (12), o colunista Wellington Farias do Jornal Correio da Paraíba, em síntese teceu rasgado elogios à figura imponente do Dr. Atencio.

“Um dos homens mais íntegros que a história política da Paraíba registra teria completado 100 anos, na quinta feira, se vivo estivesse: Atencio Wanderley, natural de Pombal. Era médico dos melhores e carregava uma bagagem cultural pertencente a poucos da terrinha. Atencio era uma prova de que é perfeitamente possível ser político sem perder a integridade moral.”

Atencio Bezerra Wanderley, o outro médico dos pobres, falava fluentemente o Francês, Latim, Alemão e o inglês, era um superdotado! Mas pouco revelava estes dotes pessoais, preferia revelar sua esposa D. Cacilda Medeiros, à qual ele dizia ser: "a razão de sua vida, companheira de todas as horas, segurança dos triunfos, e força nas suas dificuldades”. Sua vida se foi; seu exemplo ficou.

14 de dezembro de 2012

Sessão especial da ALPB celebra centenário de Luiz Gonzaga


No dia do centenário de nascimento de um dos maiores expoentes da música popular brasileira, a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou uma sessão especial, nesta quinta-feira (13), para homenagear o Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

A comemoração teve o objetivo de refletir e discutir sobre a história do cantor e compositor que marcou o cenário da realidade e da cultura do sertão nordestino para o Brasil.

O Coral dos Funcionários do Tribunal de Contas do Estado, regido pelo maestro João Alberto Gurgel, iniciou o evento com a apresentação de um pout-pourri de músicas de Luiz Gonzaga intitulado por eles de “Quadrilha de seu Lula”.

A sessão foi animada pelas grandes obras de Gonzaga e contou com a participação de Edson Azevedo e Banda e teve a participação especial do cantor Bira Delgado. Eles cantaram clássicos como Asa Branca, Baião de Dois e Qui nem Jiló.

O deputado Vituriano de Abreu (PSC), autor da propositura, destacou a importância da Paraíba destacar o centenário de nascimento do Rei do Baião. “O Brasil passou a conhecer de fato o Nordeste, através das músicas de Luiz Gonzaga. A Paraíba também tem que ser grata a ele, que não deixou de exaltar o nosso povo”.

A diretora do Departamento de Cultura e Memória da ALPB, Cida Lobo, ressaltou as obras do músico e compositor e fez uma homenagem ao cantar algumas músicas de Gonzaga à exemplo de Assum Preto. “Ele foi um homem surpreendente, que tocou a alma dos brasileiros com palavras que retrata a história dos nordestinos”.

“Tudo em Gonzaga é atualidade. Quem quer se projetar na música, ainda hoje, vai atrás e se inspira no Rei do Baião”, destacou o ex-deputado Antônio Quirino de Moura.

Biografia
Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em Exu (PE), em 13 de dezembro de 1912, e morreu em Recife no dia 2 de agosto de 1989. Cantor e compositor pernambucano que tornou o forró e o baião conhecidos em todo o Brasil. O filho do “velho” Januário, que consertava sanfonas, aprendeu com o pai a tocar e a cantar. Nascido no município de Exú, no Sertão, ele é considerado o Rei do Baião.

Nunca esqueceu seu povo, o Sertão, o forró na sala de reboco e carregava nas roupas que vestia nas apresentações a vida do vaqueiro. A imagem do homem de mãos calejadas, com esperança no olhar, ele cantava em músicas como “Vida de Viajante” e “Asa Branca”.



13 de dezembro de 2012

Luiz Gonzaga: a voz de todo o Nordeste


Assim como a imensurável associação do consciente coletivo que liga o Nordeste brasileiro com o cenário desolador da seca e fome, o cancioneiro imortalizado pela voz e sanfona de Luiz Gonzaga (1912-1989) concretizou o lamento – mas também a esperança – do sertanejo que é, antes de tudo, um forte.

Atualmente, visto tanto nas redes sociais como nos noticiários, a escassez de água, a fome, a terra rachada e o gado morto se deteriorando sob o sol escaldante não são meras caricaturas do clichê que pintam do Nordeste, mostrando uma realidade que fazia Gonzagão chorar no palco ou ter esperança que um dia tudo seja verdejante de uma nova situação sociopolítica vigente.

“Ele era a voz do Nordeste em todos os aspectos”, afirma o pesquisador Orlando Camboim acerca do artista que, se vivo, faria 100 anos hoje. “Gonzaga foi um geógrafo caboclo, um cientista matuto”, conceitua, lembrando que o pernambucano de Exu mostrava tanto a desgraça como em ‘Asa Branca’, como o outro lado com canções como ‘A volta da Asa Branca’.

“Ele enveredou por esta linha de protesto em 1953”, aponta José Nobre de Medeiros, criador e diretor do Museu Fonográfico de Luiz Gonzaga, em Campina Grande.

Entre as músicas mais emblemáticas na lista de Nobre, ‘Vozes da seca’ encabeça por mostrar “o desprezo dos poderes constituídos em relação ao Nordeste”.

Também lembrada por Camboim, a canção composta a quatro mãos com José Dantas que fala que a esmola “mata de vergonha ou vicia o cidadão” foi a primeira de protesto do músico que causou grande repercussão nacional. “Um parlamentar falou que ‘Vozes da seca’ valia por mais de mil discursos na tribuna do Congresso”.

“Luiz Gonzaga falava de tudo um pouco”, conta o juiz e pesquisador Onaldo Queiroga, criador do Troféu Asa Branca. “Sua obra vai desde a estiagem até a cheia”.

Assim como Camboim, Queiroga frisa que uma de suas músicas preferidas do ‘Rei do Baião’ era ‘A triste partida’, de Patativa do Assaré. Gonzaga chorava no palco quando cantava sobre a trajetória dos retirantes.

Político sem mandato
Para Onaldo Queiroga, Gonzagão era um “político sem mandato, que defendia o sertanejo na estiagem, realizando shows com os amigos para angariar tributos para os irmãos nordestinos em condições desfavoráveis, principalmente no eixo da sua região, Exu”.

O próprio músico lembrou em um depoimento de uma cena que marcou profundamente o seu peito: quando ele viu pela primeira vez uma distribuição de alimentos em um lugarejo chamado Taboquinha, onde tinha propriedade, uma senhora implorava por mais comida a quem estava organizando a partilha. “Eu tenho dez filhos e graças a Deus já morreram três”, esbravejava a senhora. Depois daquele momento, em que se retirou aos prantos, o ‘Velho Lua’ nunca mais teve coragem de ver as distribuições.

“Ele já fez inúmeras campanhas de doação. Costumo dizer que Gonzaga era um socialista na prática”, define o pesquisador Orlando Camboim, lembrando que Luiz Gonzaga não só alimentava a barriga do sertanejo sem esperar os políticos, mas também contribuía na expansão cultural do seu legado, doando até a sanfona que estava usando para quem se interessasse. Chegou a doar cerca de 300 instrumentos.

“Valeu a pena!”, chegou a declarar a majestade do baião depois de soltar sua voz de aboio na interpretação de ‘Terra, vida e esperança’, composta por Jurandi da Feira. “Dá gosto ser o cantor do seu povo”.

Vida e Obra
No calor do Sertão pernambucano, veio ao mundo Luiz Gonzaga do Nascimento em 13 de dezembro de 1912. O segundo dos nove filhos do casal de lavradores Januário José dos Santos e Ana “Santana” Batista de Jesus nasceu na Fazenda Caiçara, no município de Exu. De dia, o rígido pai Januário obrigava o filho a trabalhar a enxada na lavoura. À noite, era o filho quem observava o pai tocando a sanfona que consertava, animando os bailes da região.

Não demorou para o jovem Luiz tomar gosto pela sanfona e, ele próprio, animar as festas das cercanias, apesar dos protestos da mãe. Aos 18, enamorou-se pela filha de um coronel, para desespero dos pais que reprovavam a relação. Triste com a impossibilidade do romance, acabou fugindo para Crato (CE) a fim de servir ao Exército. Depois de nove anos viajando pelo país, deu baixa e foi para o Rio de Janeiro (RJ). Lá, dedicou-se de corpo e alma à música. Arriscou choros, sambas e foxtrotes na zona do baixo meretrício e chegou a se apresentar no programa de Ary Barroso, onde foi reprovado até que assumisse as origens sertanejas e apresentasse sua canção ‘Vira e mexe’. O sucesso lhe valeu um contrato com a gravadora Victor e, mais na frente, um contrato com a Rádio Nacional.

Nascia aí o artista que todos nós conhecemos. Pelas contas do Gonzagão Online, Seu Lua, como também era conhecido, gravou 627 músicas em 266 discos, com destaque para parcerias com Humberto Teixeira (1915-1979) e Zé Dantas (1921-1962). Depois de alcançar a glória e ensinar o Brasil a dançar o baião, caiu no ostracismo, quando sua sonoridade regional perdeu força para a bossa-nova, o Tropicalismo e outros gêneros urbanos que foram tomando conta do cenário musical brasileiro.

Voltou ao Nordeste, fazendo um circuito de shows pelo interior até ter “resgatado” pelo filho Gonzaguinha (1945-1991), célebre sambista carioca com quem tinha uma relação um tanto tumultuada. A partir daí, o Rei do Baião permaneceria no trono até sair de cena, em 1989.

Elba Ramalho, cantora
O maior ensinamento que Luiz Gonzaga deixou foi o respeito pela cultura popular e nordestina. Ele se foi fisicamente, mas sua alma permanece no artista que cultiva seu trabalho e em todas as manifestações juninas espalhadas por todo o Nordeste".

Dominguinhos, músico

Posso dizer que essa é a maior lacuna que a música brasileira sofreu. 80% da autenticidade musical do Nordeste se foi com ele. A sorte é que artistas como eu, Elba Ramalho, Flávio José, Clemilda, Rogério, Sergival e outros tantos nordestinos mantêm-se fiéis ao legado que ele deixou".

Marcelino Freite, escritor
Minha mãe cantava 'Asa Branca' enquanto cozinhava. Ela foi uma das pessoas que mais influenciaram a minha literatura porque muito do que eu escrevo tem sua fala, seu jeito de cantar e de se agoniar. E, quando estava muito triste, ela não cantava. Nesses dias, chutava a galinha, batia panela, mandava o cachorro ir para o diabo. (...) Mas, quando estava contente, cantava Luiz Gonzaga: Quando oiei a terra ardendo, qual fogueira de São João... Agoniados, meus personagens também batem panela e chutam cachorro. E, quando estão felizes, recorrem ao lirismo do Luiz Gonzaga".

Carlos Marcelo, escritor
Todo fim de tarde, quando morava no bairro do Miramar, em João Pessoa, saía para jogar futebol na rua e, ao voltar, na hora da janta, escutava as rádios tocando os grandes sucessos do momento. Entre 1974 e 1975, lembro que as rádios AMs tocavam incessantemente duas músicas de Luiz Gonzaga: "O fole roncou" (Nelson Valença e Luiz Gonzaga) e "Fogo pagou" (Rivaldo Serrano). Eu tinha cinco anos e lembro que a primeira música, "O fole roncou", eu achava explosiva, contagiante, arrebatadora".

Rosualdo Rodrigues, escritor
Eu tinha uns 9, 10 anos. Por volta, portanto, de 1971, justamente aquele período em que Gonzaga se encontrava esquecido pela mídia de Rio e São Paulo e focou a carreira no Nordeste, se apresentando em shows como o que vi, em Patos. Ele cantava em cima de um caminhão, num patrocínio de Dubom, 'o fumo de cabra macho'. Nessa época, lembro que a voz do Rei do Baião estava muito associada ao comercial do fumo, que passava com frequência no rádio. Isso me faz perceber, hoje, como o carisma dele era forte, porque o jingle era popular como se fosse uma música dele"

Definindo Luiz Gonzaga
Muitos conviveram e aprenderam com Luiz Gonzaga não apenas através de suas músicas, mas também pelo seu bom humor e as lições de vida deixadas pelo pernambucano.

Para Alcymar Monteiro, a convivência foi tão íntima como a relação de pai e filho. “Fomos como aluno e professor em um aprendizado que vale até hoje, doutrinando através da autenticidade e não da moda”, conta ao JORNAL DA PARAÍBA. “Uma vez, em 1986, ele foi ao meu prédio para dizer que tinha um 'presente' pra mim: 'Trouxe a Marinês pra cantar com você'... Aí, nós gravamos juntos 'Paixão', que foi o maior sucesso na época”.

“Gonzaga é o primeiro ídolo da infância", confessa Gilberto Gil, em entrevista à revista Bravo! deste mês. "Eu queria estudar um pouco de música, me meter com a música, e ele tinha sido o grande portal. Ele se tornou o primeiro grande artista pop, ícone pop de massas, uma espécie de Elvis Presley brasileiro da sua época.”

Já Alceu Valença define Gonzagão como um dos grandes poetas. “Deveria ser tocado em todas as escolas e todas as rádios do Brasil. É fundamental para a cultura brasileira”, fala, contando que o mestre entendeu a proposta de som no início de sua carreira, taxando que a música que Alceu fazia “soa como uma banda de pífano elétrica”.

“Luiz Gonzaga é o inventor do Nordeste como nós o conhecemos e idealizamos, não apenas o 'pai do baião'”, contesta Chico César. “Gonzaga é um portal pelo qual, além dele mesmo, passamos todos nós: Sivuca, Jackson do Pandeiro, João do Vale, Dominguinhos, Marinês, Elba Ramalho...”

O juiz e pesquisador Onaldo Queiroga faz uma alusão sobre o 'Velho Lua' com os nomes consagrados da literatura como Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro, representando o Nordeste. “Ele fez o mesmo através da música”.

José Nobre de Medeiros, criador do Museu Fonográfico de Luiz Gonzaga, coloca o artista como o monumento da Música Popular Brasileira, reconhecido em todo o mundo. “Com exceção da Oceania, temos músicas de Gonzaga nos quatro continentes”.

Thiago Marques Luiz, produtor da coletânea 100 Anos de Gonzagão observa que, de uma forma geral, a música do pernambucano se adapta a vários estilos e gerações. “Ele tem uma linguagem popular e bem-humorada... Toca todo povo brasileiro de norte a sul porque tem nordestino em todas as partes do Brasil”.

Alceu Valença lembra que, no último encontro pouco antes de sua morte, o 'Rei do Baião' fez um pedido ao conterrâneo: “Não deixe meu forrozinho morrer”.

COM REPORTAGEM DE AUDACI JÚNIOR E ILUSTRAÇÃO DE WILLIAM MEDEIROS PARA O JORNAL DA PARAÍBA


7 de dezembro de 2012

Chico Rolim recebe homenagens pelos seus 90 anos


A Assembleia Legislativa da Paraíba e Câmara Municipal de Cajazeiras homenagearam nesta quinta-feira (07), com a “Medalha Epitácio Pessoa” (a mais alta honraria do Poder Legislativo Estado) e a medalha de Honra ao Mérito, “João Bosco Braga Barreto” (concedido pelo Poder Legislativo cajazeirense), o ex-prefeito de Cajazeiras, Francisco Matias Rolim (Chico Rolim). A sessão conjunta aconteceu no Cajazeiras Tênis Clube e foi presidida pelo deputado, Ricardo Marcelo (PEN) e pelo Vereador, Marcos Barros (PSB).

Estiveram presentes os deputados Vituriano de Abreu (PSC), Wilson Braga, Lidonfo Pires (DEM), André Gadelha (PMDB), João Gonçalves (PEN), Gervásio Maia (PMDB), Janduhy Carneiro (PEN), Antônio Mineral (PSDB), Armando Monteiro (PSC), Frei Anastácio (PT), Hervásio Bezerra(PSDB), Raniere Paulino (PMDB), Branco Mendes (DEM) e Edmilson Soares (PEN), além dos ex-prefeitos, Carlos Antônio (DEM) e José Nelo Zerinho, prefeita eleita, Denise Oliveira(PSB), Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras e diretor do Sistema Alto Piranhas de Comunicação, José Antônio e dos vereadores atuais e eleitos de Cajazeiras.

Durante a sessão discursaram os deputados José Aldemir e Vituriano de Abreu, o historiador e ex-vereador, Chagas Amaro, a ex-deputada, Zarinha Leite, além de João Moreno Rolim que representou a família do homenageado.

Após a sessão foi lançado a 3ª edição do livro “Do Miolo do Sertão, a História de Chico Rolim” escrito pelo professor/doutor Sebastião Moreira Duarte.

COM INFORMAÇÕES DO DIÁRIO DO SERTÃO E FOTO DO BLOG DO FURÃO

6 de dezembro de 2012

Os 90 anos de Chico Rolim


O ex-prefeito de Cajazeiras Francisco Matias Rolim recebe uma série de homenagens pela passagem do seu aniversário de 90 anos. Em sessão solene conjunta, Chico Rolim recebe da Assembleia Legislativa da Paraíba a Medalha Epitácio Pessoa. Da Câmara Municipal de Cajazeiras, a Medalha João Bosco Braga Barreto. E da Câmara de Dirigentes Lojistas, a comenda do Mérito Lojista. De quebra, relança a sua biografia romanceada "Do Miolo do Sertão". Abaixo, o belo texto em homenagem ao homem público, da lavra do jornalista Chico Cardoso. Vida longa a Chico Rolim!

Chico Rolim
CHICO CARDOSO

A cidade de Cajazeiras está prestando significativa homenagem neste dia seis de dezembro, a um dos filhos mais ilustres da sua história, o ex-prefeito Francisco Matias Rolim, no dia em que ele completa noventa anos de idade, bem vividos e com grande amor a sua terra natal.

A programação será iniciada às oito horas da manhã com uma Missa em Ação de Graças, já que ele é um católico apostólico romano e praticante.

Às dezenove horas será o momento da Assembleia Legislativa da Paraíba elevar o nome de Matias Rolim com a entrega da Medalha Epitácio Pessoa, em Sessão Solene na Câmara Municipal de Cajazeiras. Informações seguras da assessoria de comunicação da Assembleia, garante que os parlamentares estaduais, na sua maioria, se farão presentes ao evento.

Na oportunidade, a Câmara Municipal fará a sua homenagem ao ex-prefeito, outorgando a Medalha João Bosco Braga Barreto, honraria concedida por unanimidade dos representantes do Poder Legislativo cajazeirense.

Na mesma Solenidade, Chico Rolim receberá a Medalha de Mérito Lojista ofertada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Cajazeiras, e será feito o lançamento da terceira edição do livro “Do Miolo do Sertão”, de autoria do homenageado.

As Solenidades serão encerradas com a festa de comemoração no Cajazeiras Tênis Clube, devidamente programada pelos familiares do ex-prefeito.

Na verdade, todos esses festejos têm razão para acontecer, pois Chico Rolim é um dos maiores benfeitores da terra, foi eleito prefeito em duas eleições das mais concorridas e assumiu a vaga de deputado federal como legítimo representante da região de Cajazeiras, no Planalto de Brasília.

Conhecido como homem humilde, simples e corajoso na tomada de posições, chega aos noventa anos com força para continuar a luta diária, em favor da "linda Cajazeiras", como ele costuma chamar.

Um líder inconteste e as urnas comprovaram essa afirmativa. O “Caldeirão Político” acompanhou parte dessa caminhada vitoriosa de Chico Rolim, para hoje oferecer o testemunho real sobre esse guerreiro sem ódio e sem medo. Contou sempre com as bênçãos celestiais, porque somente o bem pratica aqui na Terra. É um conselheiro do bem, um promotor da caridade, um amigo incondicional, um apaixonado pela terra mãe e um gênio das boas ações.


Cássio: “A humanidade perde o homem a quem o concreto se curvou”


O senador Cássio Cunha Lima externou nesta quarta-feira, 05, o seu pesar pela morte do arquiteto Oscar Niemeyer, ocorrida num hospital do Rio de Janeiro, onde estava internado havia 33 dias. Ele disse que “o Brasil perde um dos seus gênios e que teve honra de conhecê-lo”.

Cássio lembrou que o arquiteto, mundialmente renomado, deixou sua marca na Paraíba, “Niemeyer é autor da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, localizada em João Pessoa, e que é um dos pontos turísticos mais visitados da capital. Também é de autoria de Niemeyer, o Museu de Arte Popular, já popularmente conhecido os Três Pandeiros, que está situado às margens do Açude Velho, em Campina Grande e está prestes a ser inaugurado.

“Também é de Niemeyer o projeto da Biblioteca Central da Universidade Estadual da Paraíba, UEPB”, em Campina Grande, informou o senador através do twitter.

Um sonho antigo de Cássio Cunha Lima, a construção do Centro Administrativo de Campina Grande, também tem um projeto do gênio Niemeyer, recordou o senador, ao torcer que o futuro prefeito da cidade, Romero Rodrigues, possa fazer essa importante obra para toda a população campinense.

ASSESSORIA

2 de dezembro de 2012

Chico Rolim e seus 90 anos


FRASSALES CARTAXO

No próximo dia 6 Francisco Matias Rolim será alvo de homenagens ao completar 90 anos de idade. Muito justo. Quase um século de calmaria? Que nada. Uma vida cheia de altos e baixos, de idas e vindas, no plano comercial, político, emocional e familiar. Quem o conhece de perto ou acompanha sua trajetória me dará razão. Os que não o conhecem, mas passaram a vista no “Miolo do Sertão: A história de Chico Rolim contada a Sebastião Moreira Duarte” têm uma ideia da sinuosidade dos caminhos percorridos por esse matuto do Olho d’Água do Melão. Embora nesta última hipótese, a biografia assuma forma narrativa impregnada do viés literário do autor. Pouco importa. O matuto foi um vencedor.

É bem verdade que Chico se arrependeu de ter contribuído para algumas lutas vitoriosas. Empolgado com sua estreia na “sociedade” cajazeirense, Chico Rolim engrossou a corrente formada nos meados do século 20 para construir a sede do Cajazeiras Tênis Clube, justo no local da casa onde se originou a cidade. E não era uma casa qualquer. Nela estavam as marcas da mãe do padre Rolim. Para destruí-la inventaram um falso dilema: tradição versus progresso. Quem era contra a derrubada da casa pioneira representava o atraso. Os defensores de sua destruição fizeram-se paladinos do progresso. Afinal, tratava-se de uma casa velha... e pobre. O clube da elite seria novo e moderno e rico.

Puro veneno. A falsa opção serviu para encobrir idiossincrasias e, de certa maneira, fustigar a Igreja. Casa e igreja sendo parte da mesma vertente histórica. Hildebrando Assis, então jovem advogado, deputado estadual foi o mentor do crime. Aliás, de dois crimes contra a história. Primeiro, mudar o nome do Clube Oito de Maio para Cajazeiras Tênis Clube. O 8 de maio lembra o fim da Segunda Guerra Mundial, a vitória da democracia contra o nazismo, portanto, é história da humanidade. E ainda escolheram o nome de um esporte totalmente alheio aos costumes sertanejos. Que alienação! O outro crime, mais modesto, foi a “destruição de uma relíquia”, como a qualificou Chico Rolim, ao anunciar o arrependimento, 40 anos depois de praticá-lo, na condição de cúmplice de Hildebrando Assis.

Por um triz, não ocorreu um crime derivado, a morte por enfarto de Cristiano Cartaxo, que sequer teve a solidariedade de Deusdedit Leitão na tentativa de evitar a “loucura iminente”. Mais tarde, em momento infeliz, Deusdedit justificaria sua posição usando o argumento, sussurrado baixinho, de ser a casa muito modesta para a grandeza de Mãe Aninha... Coube a Chico a dignidade de proclamar bem alto seu próprio erro.

Chico Rolim teve na política uma ascensão meteórica. Vereador pelo Partido Social Democrático (PSD), em 1959, e prefeito quatro anos depois, pela legenda da União Democrática Nacional (UDN), quando venceu três concorrentes: Acácio Braga Rolim, Raimundo Ferreira, e o major Zé Leite, das Areias. Na época, estudante de direito na Bahia, em férias, no dia da chegada a Cajazeiras subi no palanque de Raimundo e lancei um slogan que provocou o maior rebu na família. Mas isso é outra história. Hoje o homenageado é Chico Rolim em seus 90 anos de atribulada vida. Homenagem justa, merecida.

P S – Li e reli esta crônica para um amigo. Ele deu uma gargalhada: bem feito, foi castigo, com menos de 50 anos o Tênis Clube envelheceu... E só resiste graças à tenacidade de Rubismar Galvão, aliás, preocupado em manter a tradição...

20 de novembro de 2012

AL prestará homenagem ao ex-prefeito Chico Rolim


A Assembleia Legislativa da Paraíba vai homenagear no próximo dia 6 de dezembro, o ex-prefeito da cidade de Cajazeiras, Francisco Matias Rolim (Chico Rolim) com a Medalha Epitácio Pessoa, a mais alta honraria do Poder Legislativo Estadual.

O ex-gestor cajazeirense receberá também a medalha de honra ao mérito, João Bosco Braga Barreto, outuorgada pela Câmara Municipal. 

A solenidade de entrega ocorrerá na Câmara Municipal de Cajazeiras e contará com a presença do presidente do Legislativo da Paraíba, o deputado Ricardo Marcelo (PEN).



19 de novembro de 2012

Morre ex-vereador Dudu


Faleceu na manhã dessa segunda-feira (19), o ex-vereador José Lopes (Dudu). O mesmo estava internado em estado grave na UTI do Hospital Regional de Cajazeiras com complicações cardíacas. Dudu era acometido de diabetes e já havia perdido praticamente toda sua visão.

O corpo de Dudu está sendo velado na Central de Velório Memorial Esperança. Pela manhã da terça-feira (20), às 7h00 da manhã será celebrada missa de corpo presente na Igreja Catedral Nossa Senhora da Piedade. Em seguida, acontecerá sessão especial para homenagear o ex-vereador pelo legislativo, e na oportunidade, também haverá homenagens da Maçonaria. O sepultamento ocorrerá ás 9h00 no Cemitério Coração de Maria no centro da cidade.

José Lopes (Dudu) único homem de uma família de cinco irmãos. Estudou na tradicional Escola Simeão Leal. Filho de família humilde, teve que trabalhar logo cedo, ganhando seus primeiros trocados como vendedor de jornal. Nos anos, 40, foi sapateiro. Já nos anos 50, começou a trabalhar como ajudante de Helio Barros em um consultório odontológico. Na oportunidade, aprendeu seus primeiros passos na profissão. Depois de algum tempo, casou-se com dona Narcisa, e passou a atuar sozinho em sua própria casa. Mais tarde, instalaria seu consultório por trás do Circulo Operário, no qual foi presidente por duas vezes.

Em 1980, Dudu ingressou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), hoje (UFCG), como funcionário público.

Na política, iniciou sua trajetória partidária na UDN (União Democrática Nacional), a convite do então presidente local Dr. Iremirton Braga. A convite de outro grande político e médico, Dr. Epitácio Leite Rolim, candidatou-se a vereador, sendo eleito na primeira oportunidade, época em que o cargo sequer era remunerado. Em 1978, foi candidato a vice-prefeito pela chapa de Zé Araruna. Foi ainda vereador por seis vezes, e presidente da Câmara em três ocasiões. Encerrou seu último mandato no ano 2000.

Dudu esteve ao lado de grandes personalidades, como Frei Damião, de quem era devoto; do ex-presidente da Républica Luiz Inácio Lula da Silva, época que o líder petista ainda era conhecido apenas pela sua luta sindical; e nos anos 80 conheceu o então presidente da República, hoje presidente do Senado Federal José Sarney, ocasião em que ele esteve em Cajazeiras para inauguração do açude Lagoa do Arroz.

O ex-vereador foi presidente do Círculo Operário de Cajazeiras, além disso, é membro da Maçonaria. No dia 29 de Julho de 2009 comemorou 50 anos de união com sua esposa Narcisa, hoje falecida.


 

7 de novembro de 2012

Destaque: nove anos escrevendo a história de Cajazeiras e do sertão


Nos últimos nove anos, desde outubro de 2003, os acontecimentos mais relevantes de Cajazeiras e do alto sertão vem sendo estampados nas páginas da revista Destaque, sediada na terra do Padre Rolim, que registra para pesquisas atuais e para a história o que influencia a vida do sertanejo, de Bonito de Santa Fé a Uiraúna.

São fatos políticos, administrativos, sociais, culturais, esportivos, econômicos, de segurança pública, saúde e educação, entre outros, registrados de forma imparcial ao longo dos anos, deixando o sertanejo mensalmente atualizado do que acontece ao seu redor, de maneira analítica, crítica, denotando a importância de cada acontecimento naquele momento e para o futuro de cada município individualmente e para a microrregião de Cajazeiras como um todo.

Com colunistas e articulistas centrados nos acontecimentos, fazendo análises de forma imparcial, como Manoel Neto, Chico Cardoso, Lenilson Oliveira, Paulo Sóstenes, Adalberto dos Santos e tantos outros que já passaram pelas páginas da Destaque, a “revista do sertão” tem primado sempre pelo bom texto, com opiniões abalizadas, sem margem para deturpações, mas deixando o leitor livre para construir seu próprio ponto de vista acerca do assunto abordado.

Parcerias
Contando a cada edição com grandes parceiros, sobretudo com as empresas anunciantes, a Destaque se firma a cada mês como um dos mais importantes veículos de comunicação do interior da Paraíba, não só por já alcançar a marca histórica de 85 números, mas por merecer a credibilidade e confiança de todos, que recebem a visita do departamento comercial, hoje na pessoa de Joel Farias.


 

5 de outubro de 2012

Jornalista Lustosa da Costa morre em Brasília


Jornalista, escritor, poeta e, acima de tudo, sobralense. Era assim que Francisco José Lustosa da Costa se definia. Colunista do Diário do Nordeste, ele faleceu ontem em Brasília, vítima de um câncer de pulmão. A doença não impediu seu ímpeto produtivo, que fez com que publicasse até o seu último dia de lucidez sua colaboração neste jornal.

Ele será velado na Casa do Ceará e cremado, em Brasília. As cinzas serão trazidas para Sobral (CE). Único dos 11 irmãos a não nascer na cidade cearense - ele era natural de Cajazeiras (PB) -, Lustosa da Costa tinha grande admiração por Sobral, que inspirou várias textos e poemas. Dos 28 livros publicados pelo autor, sete deles têm o município da zona Norte como tema.

Trajetória
Lustosa da Costa foi colunista do Diário do Nordeste desde a inauguração da Sucursal em Brasília, em 1985. Leitor compulsivo, ele deu início aos seus estudos no Ginásio Sobralense. Mais tarde cursou a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará.

Jornalista profissional, foi editor - chefe do "Unitário" e do "Correio do Ceará", em Fortaleza, e repórter político da sucursal de "O Estado de S.Paulo" e do "Jornal da Tarde", em Brasília, durante 14 anos.

No magistério, mais uma de suas paixões, Lustosa da Costa destacou-se como professor de Sociologia do Centro Educacional do Ceará, hoje Instituto de Educação do Ceará, entre 1964 e 1966. Também foi professor de Sociologia do II Curso Livre de Jornalismo, realizado pela Universidade Federal do Ceará, pela Associação Cearense de Imprensa e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará, em maio de 1965.

Política
Na vida pública, foi o candidato a deputado federal pelo MDB do Ceará mais votado em Fortaleza em 1966. Em 1978, candidatou-se a suplente de senador pelo MDB do Ceará.

Na abertura de sua última coluna publicada no Diário do Nordeste, Lustosa afirmou mais uma vez sua paixão por Sobral.

O deputado federal Mauro Benevides (PMDB) disse que Lustosa da Costa foi um dos mais brilhantes intelectuais de sua geração, deixando patenteado, em sua coluna no Diário do Nordeste e em numerosas obras que publicou, principalmente o que dizia respeito à historiografia sobralense. "Perdeu o Ceará um homem de pena cintilante que honrou as nossas mais caras tradições culturais", disse.

O advogado e escritor Edmo Linhares afirmou que perdeu um grande amigo. "Era um intelectual e, sobretudo, um amigo sincero, leal e fraterno. Como sobralense, me sinto feliz em ter sido seu conterrâneo, apesar de ele ter nascido em Cajazeiras, mas adotou Sobral como sua terra natal. Ele era um grande divulgador da cidade e como contador de causos, sua obra ficará na memória de todos os cearenses", declarou Linhares.



9 de setembro de 2012

Um nome para a OAB Cajazeiras


FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Cajazeiras gostou da decisão da Ordem dos Advogados do Brasil/PB de construir nova sede para sua seção local. Sem dúvida, uma demonstração de prestígio para nossa cidade, onde existe núcleo de profissionais da advocacia cada vez mais numeroso e atuante na Paraíba e onde funcionam dois cursos de direito. Cajazeiras não aplaude, contudo, o nome de Ronaldo Cunha Lima, anunciado para a sede. Não que se faça restrição ao poeta, advogado e político. Afaste-se qualquer indisposição contra Ronaldo, porém, causa surpresa tal escolha, aliás, fora de propósito, enviesada, inconveniente. Por quê? Dá a entender que não temos no sertão nomes à altura de imortalizar-se na seção local da OAB. Temos. E muitos.

Por isso, a reação da sociedade cajazeirense, ao ponto de gerar um movimento com o intuito de evitar a confirmação desse possível deslize da direção estadual da OAB. Até já circula uma lista com sugestão de seis advogados conterrâneos. Poderia ser dez ou quinze ou vinte a merecerem a honraria, em especial por dois requisitos básicos: são cajazeirenses de nascimento e tiveram forte atuação no fórum local. Isso sem demérito para muitos outros que, vindos de outras plagas aqui se fixaram, prestando significativos serviços à sociedade sertaneja, como profissionais do direito. Não é este o caso de Ronaldo Cunha Lima, ressalvadas esporádicas atuações.

O aconselhável, data venia, é selecionar uma figura que expresse, senão a unanimidade, pelo menos a convergência da maioria, afastando-se qualquer conotação político-partidária. Figura simbólica para a profissão e a história de Cajazeiras. Então, seria de bom alvitre incluir o componente histórico entre os critérios para a escolha. Neste caso, surge como mais apropriado o nome de Manoel de Souza Rolim, o primeiro bacharel em direito nascido quando Cajazeiras era simples fazenda.

Manoel de Souza Rolim obteve o diploma no longínquo ano de 1839, na velha Faculdade de Direito de Olinda, ano em que Cajazeiras era simples povoado do município de Sousa. Irmão do padre Inácio de Souza Rolim, ao formar-se em direito, Manoel de Souza Rolim, regressou ao sertão, fixando-se no então lugarejo de São José da Lagoa Tapada, onde abriu uma escola a pedido do líder político sousense, Comandante José Gomes de Sá Júnior, que, com seu prestígio e influência, fez do jovem bacharel, deputado provincial na legislatura de 1844-45, como registra Deusdedit Leitão, no livro “Bacharéis Paraibanos pela Faculdade de Olinda”. Informa ainda nosso historiador maior que Manoel de Souza Rolim foi pioneiro do abolicionismo no sertão, como demonstram as ações práticas de preparar cartas de alforria, havendo registro histórico datado de 1851, portanto, 37 anos antes da abolição formal da escravidão no Brasil!

Após temporada no município de Sousa, Manoel de Souza Rolim veio para Cajazeiras quando foi criada a Comarca, tendo aqui atuação brilhante, destemida, às vezes, agressiva, sempre na defesa de seus constituintes. Além de exercer a advocacia, ele ensinou Latim no famoso colégio do irmão padre até que a grande seca de 1877/79 o obrigou a refugiar-se no Cariri cearense, onde continuou sua missão de professor e advogado.

Seu nome inscrito na nova sede local da OAB teria valor simbólico em vários sentidos: primeiro advogado nascido em Cajazeiras, professor de primeiras letras e de Latim, pioneiro na luta pela abolição dos escravos e irmão do padre mestre Inácio de Souza Rolim. Fica a sugestão.

O AUTOR É BACHAREL EM DIREITO E PÓS-GRADUADO EM DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

19 de agosto de 2012

Há 34 anos acontecia o 1º Salão Oficial de Arte Contemporânea


“Eis a nossa exposição. É dos nossos artistas. É nossa arte. Se é pobre, é porque representa nossa miséria. Se não tem muita criatividade é porque nossa fome não deixa que ela desenvolva.” Assim fechou o último parágrafo do texto de apresentação do catálogo do 1º Salão Oficial de Artes Contemporânea do Sertão, a matriarca do teatro cajazeirense Íracles Blocos Pires, numa evidente demonstração de sentimento político pelos que na cidade, a duras penas, fazia uma arte de resistência e de enfrentamento, diante do isolamento social e cultural que impedia o acesso as novas estéticas e linguagens influentes que indicava o rumo que a arte devia seguir na época.

Essa arte referida por Íracles era específica, regionalizada e interiorizada. Não representava todo conteúdo exposto no Salão, pois o mesmo apresentou trabalhos de artistas de centros mais desenvolvidos, como Campina Grande, João Pessoa, Olinda/PE e Aracajú/SE. Entretanto, embora ela não fosse consensual - já que poucos a conhecia ou quase não tinham acesso aos ambientes de trabalhos dos artistas, bem como, os locais onde eram expostas e por falta de informação, desconhecia o seu perfil estético; pelo menos era representativa, trazia na sua totalidade elementos que evidenciavam a ligação dos seus produtores com a sua terra, com sua gente e acima de tudo com as condições sociais que a região propiciava a sua produção.

É importante salientar que a cajazeiras dos anos 70, era uma cidade politizada e ideologicamente centrada nos grandes fatos históricos ocorridos no país daquela época; e a arte produzida em seu tempo, boa parte estava a serviço da educação de outra parte da população considerada desinformada e despolitizada. Por isso, talvez neste contexto, os trabalhos plásticos apresentados no Salão carregassem um viés que adequasse sua produção a esse engajamento político/ideológico, ou simplesmente ostentasse uma forma ingênua de representar as mudanças ocorridas no meio onde viviam os seus agentes produtivos.

Os objetivos aparentes do Salão foram claros ao revelar aos olhos de todos no interior do Grêmio Artístico Cajazeirense, uma arte eclética, ingênua, desconhecida, adormecida, porém ignorada pelo poder público que ao longo dos anos tem sido ineficaz no apoio a cultura e arte advinda de locais mais afastados, como as cidades do interior, mas que surpreendia, dando aos artistas a conveniência de saírem do anonimato. “Tirar o artista que existe no povo e que por falta de oportunidade fica entocado com medo e com vergonha de mostrar seus trabalhos.” Como afirmou a própria Íracles.

Em outra parte do texto, Íracles questiona as dificuldades de se produzir arte distante dos grandes centros. “Nosso sertão é muito longe dos grandes centros. Nosso artista não tem escolas, na sua grande maioria é primitiva. Tem a chama da arte em si, mas não sabe exprimi-la como deseja, pois falta-lhe oportunidade”. Revela o acanhamento como complexo de inferioridade de impedia o artista de mostrar sua arte. “Nós tivemos a coragem de chamar esse artista, dar-lhe oportunidade, dizer-lhe que sua arte não decepciona que ela é autêntica e que ele, o artista, tem direito a seu lugar ao sol.

O Salão foi realizado há 34 anos atrás, entre os dias 12 e 30 de agosto de 1978, numa época difícil para as produções artistas no país que as duras penas enfrentava furor da censura ou fugia do seu rolo repressor. Mas foi em meios a estas dificuldades impostas, expeditivas de ansiedades, que os organizadores conseguiram fazer um evento que parou Cajazeiras. Foram expostas mais de 125 trabalhos, entre desenhos, esculturas, pinturas, tapeçarias e cerâmicas.

DO BLOG CAJAZEIRAS DE AMOR


22 de julho de 2012

A popular profissão de chapeado em Cajazeiras


Entre as antigas profissões que no passado atendia no comércio de estivas e cereais das cidades do interior do Nordeste, a de Chapeado, talvez era a mais identificada com a cultura popular. O chapeado, carregador ou carreteiro - como era chamado popularmente, eram aqueles homens fortes que trabalhavam nos armazéns ou que ficavam nas ruas do centro de Cajazeiras, principalmente em dia de feira livre na espera de serem contratados por alguns comerciantes donos de bodegas para conduzir pesados sacos de arroz, farinha, açúcar ou feijão até o local previamente determinado.

Os chapeados pegavam no pesado e suava muito para suportar os sessentas quilos de um saco de açúcar, por exemplo. Necessitavam ter massa muscular e bastante força. Ficavam na porta ou dentro do estoque de cereais dos armazéns localizados nas principais ruas da cidade, como: a Rua Padre Manoel Mariano, Rua das Tamarinas e Padre José Tomaz; muitos sem camisas, ao sol e chuva, com chapéus arredondados na cabeça. Muitos artesanalmente feitos com metades de uma bola de futebol, cujo objetivo era amortecer o peso das mercadorias sobre a cabeça.

Para transportar as encomendas do centro para um local mais distante, usavam possantes carrinhos de mão, caracterizados por quatros rodas de madeiras revestidas com tiras de borrachas de pneus; dois feixes de molas de automóveis; um volante também de automóvel com uma barra de ferro ligada a uma trava embaixo, que conduzia dois cabos até o eixo dianteiro, fazendo girar as rodas da frente para direita ou para esquerda. Os carrinhos tinham capacidade para suportar até cento e vinte quilos ou mais.

Mas a atividade de chapeado em Cajazeiras não se restringia tão somente ao centro comercial, onde existiam os grandes armazéns como, Rio Piranhas, de Francisco Arcanjo; o da família Roberto e o Armazém Figueiredo; havia o exercício dessa atividade em outros setores da economia da cidade naquela época, distantes do centro, como os chapeados que trabalhavam carregando pesados fardos de algodão na SAMBRA ou na Algodoeira do Major Galdino Pires, além das firmas Abrantes S.A. e J. Matos Cia de beneficiamento de algodão.

Com o passar do tempo, a modernização da indústria e do comércio abriram espaços para novos meios de transportes de mercadorias nesses setores. Criaram-se as centrais de distribuições que substituíram os antigos armazéns. Vieram às empilhadeiras, os carrinhos de supermercados e a pronto entrega, sufocando essa popular atividade que hoje não existe mais ou passa por processos extinção; que no passado foi na cidade tão bem exercida por pessoas humildes, como Pedão, Seu Belchior, Tião do Bairro de Capoeiras e Zezinho que morava na tradicional Rua do Emboque.

DO BLOG CAJAZEIRAS DE AMOR

15 de julho de 2012

Ronaldo imortal


DALADIER MARQUES

Não direi “adeus, poeta”; direi, sim, “a Deus, poeta”. Por que não direi adeus? Porque você, Ronaldo, continuará na memória do povo que você amou. Por que direi a Deus? Porque é a Ele que você irá para receber dEle o seu galardão. E por que poeta? Porque dentre tudo que você foi, jamais deixou de ser poeta.

Você foi político e como tal se doou ao seu povo de coração. Você disse: “a minha doação foi tão completa/ que até mesmo a minha alma de poeta/ não tem mais um só verso pra te dar”. Você foi advogado e como tal em versos peticionou a liberação de um violão dizendo: “mande soltá-lo pelo amor da noite/ que se sente vazia em suas horas/ para sentir de novo o terno açoite/ de suas cordas leves e sonoras”. Portanto, poeta você sempre foi, mesmo no exercício da política e da advocacia. Seus versos seguintes atestam bem isto: “advogado/ dependo da prova de terceiros/ político/ da lealdade de parceiros/ poeta/ só de amores, mesmo que não verdadeiros”.

Hoje, sob chuva serrana, você se aninhará de volta ao peito de sua mãe. Você se lembra, Ronaldo, que também chovia quando Dona Nenzinha foi a Deus? Naquela tarde chuvosa como a de hoje, eu lhe dizia que até a Natureza chorava despedindo-se dela. E hoje, essa mesma Natureza chora por você, como choram seus leais amigos. Era assim que falavam os antigos, a Natureza chora na hora da morte daqueles que são do bem.

Hoje, poeta, você não nos deixa. Hoje, você apenas muda de casa. Você agora estará em nova casa, aquela que em terceto você assim falou: “a casa do poeta tem afeto/ tem rimas se arrumando pelo teto/ tem versos se espalhando pelo chão”. Longe das inconstâncias desta vida atribulada, você agora viverá a alegria perene do versejar dos poetas que lhe prepararam o caminho. Você gozará da verve de Augusto dos Anjos, seu vate maior: de Zé da Luz, seu patrono acadêmico campinense; de Eliseu Cesar, seu patrono acadêmico paraibano; de Celso Novais, seu antecessor acadêmico, dentre tantos da sua constelação.

Mas, Ronaldo, a Academia de Letras de Campina Grande, a nossa academia que hoje presido e na qual com alegria você me acolheu, guardará eternamente sua lembrança, tal qual você quis, quando você escreveu: “quando eu for pra eternidade/ onde só Deus me alcança/ eu não quero ser saudade/ já me basta ser lembrança”. Na verdade, Ronaldo Cunha Lima, nela você não será lembrança, nela você será sempre presente, até porque sua presença transcendeu os próprios limites dela. Por isto, a nossa mensagem em grinalda para suas exéquias dizia: “não foste, és imortal”. Descanse em paz, nobre poeta.

11 de julho de 2012

Seccional da OAB em Cajazeiras receberá o nome de Ronaldo Cunha Lima


Numa iniciativa por demais acertada e uma homenagem pordemais justa, Cajazeiras parte na frente em um gesto de reconhecimento ao grande líder político, advogado e poeta Ronaldo Cunha Lima, falecido no último dia 07 de julho próximo passado.

Dr. Chico Araújo, Presidente da Seccional da OAB de Cajazeiras comunicou pessoalmente no domingo dia 08/07/2012,no momento em que apresentava os seus Votos de pésames ao Senador Cássio Cunha Lima, pelo fato do falecimento do seu pai, que a nova sede da OAB que está sendo construída e será inaugurada dentro em breve em Cajazeiras, receberá o nome do Poeta e Advogado Dr. Ronaldo Cunha Lima, numa deliberação por unanimidade em assembléia extraordinária dos Advogados da terra do Pe. Rolim e em consonância com o Presidente Estadual da Ordem Dr. Odon Bezerra.

Evidente que inúmeros outros Advogados já falecidos e filhos de Cajazeiras também mereciam ser lembrados, porém diante da identificação e do reconhecimento do carinho que Ronaldo Cunha Lima devotava a Cajazeiras, quando governador do estado, considero paricularmente como bastante oportuna e merecida a singela homenagem que a Casa dos Advogados de Cajazeiras, irá dedicar ao Poeta e Advogado Dr. Ronaldo Cunha Lima de saudosa memória.

COM INFORMAÇÕES DE SALES FERNANDES


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